Sem retornos, apenas falando de mim...

Uma companheira me mandou o seguinte comentário, e como sempre colocamos os princípios acima das personalidades, vou preservar o anonimato dela, afinal quem tem o poder de quebrá-lo não sou eu , mas apenas ela mesma:
Ola Cicie..to passando por esse dilema...quero me separar..alias ja decidi..mais ta difícil pq o marido não aceita a família dele não me apóia...todos fingem que nada acontece...que são só dias ruins e que tudo bem se o ciclo doentio da adicção continuar...que um dia por vontade de Deus...quando Deus decidir ele fala a cansei de ver esse povo sofrendo agora deixa eu colocar meu dedinho la que ta tudo na paz...sabemos que Deus ajuda mais quem precisa começar a agir somos nós mesmos, gostaria de saber como foi a separação de vcs?..eu to pensando em fugir pq ta difícil o negócio...obrigada e beijinhuu

 Oi, companheira!!! Paz e serenidade a você, estou torcendo aqui para que você consiga manter sua sanidade e consiga ser o mais assertiva possível, nas suas decisões e conversas com seu marido.

Como estou  em recuperação, um dos princípios da irmandade Nar-Anon é jamais dar "retorno", não posso dar opniões, sugestões ou "ditar" regras, posso apenas falar de mim e do caminho que eu trilhei.
Sou daquelas que levanta a bandeira do casamento, acho que casamento dá trabalho mas que vale a pena.
Alguns dias atrás estávamos conversando, eu, minha madrinha, um companheiro e mais um grupo de pessoas sobre isso : "Casamento", alguém disse: "Para que casar? A possibilidade de um casamento dar certo é remota!".
Eu não acho - foi minha opinião! - acho que existem casamentos que dão certo por longos períodos e outros que dão certo por períodos menores! O meu casamento por exemplo! Deu certo! Eu e meu ex marido, temos um relacionamento de quase 10 anos!!! ok, ok... eu me separei... Mas por conta de termos uma filha juntos, ainda, e de certa forma, temos um relacionamento :  Fazemos parte de uma Família! A família da Bru(nossa filha).
Namoramos 05 anos, casados ficamos 03 anos e estamos separados a quase 02 anos. Nosso casamento teve altos e baixos, o mais baixo, foi o uso abusivo de drogas, descobri isso com 04 meses de casada e com nossa filha recém nascida (02meses), logo ele se internou, e logo fomos buscar ajuda.

Me separei, numa fase que talvez "exteriormente" estava tudo perfeito :  Meu marido sem usar drogas a quase dois anos, fazendo faculdade. Mas interiormente, nada estava bom para mim, eu tinha quase 03 anos de recuperação, já tinha escrito meus passos, tinha uma madrinha e frequentava os grupos. Eu sabia que interiormente esse relacionamento não estava bom para mim.
Na minha opinião, meu ex-marido sempre fugiu do nosso casamento, primeiro ele fugiu usando drogas, depois ele fugiu para uma clinica de recuperação e ficou lá por seis meses, depois fugiu para grupos de ajuda todos os dias durante 01 ano e meio e naquele momento ele fugia para a faculdade, nunca podia faltar, sempre precisava estudar nos finais de semana, nunca tendo tempo para a família.
Nesse momento ele não estava mais frequentando os grupos de ajuda, voltara a beber uma cerveja de vez em quando, e isso me abalava demais, pois era como se uma sombra sempre me acompanhasse.
Eu já havia conversado com ele que se ele voltasse a ter uma vida "normal" de cervejinhas aos fds, eu o "trataria" como uma pessoa normal, não aceitaria "ataques de adolescentes", nem "preguiças ou neuras de dep. químico". Afinal, penso eu: pessoas normais não acordam de manhã e se perguntam se elas estão boas ou ruins, elas simplesmente acordam, se levantam e vão trabalhar!!!
Então um certo dia ele acordou e disse que : "Hoje não vou trabalhar, não estou bem.".
Primeiro imaginei que fosse um mal estar, alguma dor, sei lá... Depois de eu insistir em levá-lo ao médico ele me disse que não era um mal estar do corpo, era que ele não "estava bem para ir trabalhar, estava se sentindo inadequado" - enfim... quem conviveu com um adicto em não-recuperação, sabe do tipo de "piti" que eu estou falando! rs.
Foi a gota que faltava para meu copo transbordar, e eu abrir mão desse relacionamento.
Quero deixar claro que gosto muito do meu ex-marido, tenho por ele um carinho muito grande, afinal ele é pai da minha filha e ela o tem como herói, também porque eu jamais seria ingrata com alguém que me ajudou muito na minha recuperação pessoal, e disso eu não posso reclamar, ele sempre me incentivou a procurar ajuda, sempre me motivou a aprender mais, a prestar serviço na irmandade, a fazer novas amizades.
Hoje, temos nossos dias de "amigos" e nossos dias de "não tão amigos", no entanto nos damos bem porque nos fixamos a uma distância emocional "segura" um do outro, ele me conhece bem, e eu o conheço bem, sabemos que eu e ele não tem como "dar certo" - sofremos do mal do "relacionamento tóxico", rsrs...
Sabemos bem apontar os defeitos um do outro, e temos a exatidão de colocar o dedo na ferida mais doída de cada um, então... Sabem como é! Evitamos brigas para que isso não afete nossa filha.

Hoje, não tenho nenhum peso na consciência por ter me separado, sei que isso foi importante para crescermos como pessoa, e nosso divórcio me ajudou muito a colocar em prática ferramentas importantes como: assertividade, serenidade, paciência, esperança, limites e companheirismo, sei também que ele hoje é uma pessoa diferente, que nossa separação o ajudou muito a amadurecer.

Mas essa é somente uma parte da minha história... Nossas histórias podem ser "parecidas", por isso que nos identificamos tanto uns com os outros por aqui, mas as pessoas nunca são iguais, podem ter personalidades semelhantes, mas jamais iguais e é isso que faz de cada historia aqui ser única!

Somente você, companheira, pode colocar limites em seu relacionamento, e somente você só pode colocar limites pra si mesma, não para o outro.
Só podemos modificar a nós mesmas, ao outros só podemos amar! *Lembra?

Lembro que quando me separei, a primeira coisa que fiz foi correr para casa da minha madrinha, foi tentar ficar o máximo de tempo em companhia das pessoas que me entendiam e nas quais eu poderia me apoiar. Pois a "dor conhecida muitas vezes nos parece mais segura do que as possibilidades desconhecidas", porque aquela dor ali, você já sentiu, já sabe como reagir a ela, até o seu corpo já tem uma resposta imediata àquela dor...
Mas a possibilidade "desconhecida"... Ah...essa causa mais medo que o "Homem do Saco!!!" - Alguém aqui já conheceu o "Homem do saco"? Acho que não né? Mas me respondam, o que doía mais quando éramos crianças? Apanhar da mamãe ou correr o risco do "homem do saco" te levar??? rsrsrs... Entendeu?

Mas medo dividido, é medo diminuído! Partilhar me ajudou muito!
________
Amiga, companheira...

Fala sério! Ficou muito boa essa foto!!! rsrs
Sabe aquela expressão: "Tamu junto!"  ?  
Então foi nela que mais me segurei, e corri atrás quando o medo de cair no poço me assolava!!!

"Tamú junto!", é saber que seus companheiros te entendem...se identificam...
"Tamú junto!"., é saber que você tem no mínimo um par de braços abertos pra te abraçar e dizer "que bom que você veio companheira, tamu junto!"
"Tamú junto!", é poder ligar de madrugada, a qualquer hora do dia, é achar alguém que lhe escute sem julgamento, que lhe ame incondicionalmente!
"Tamú junto!", é poder pertencer a uma rede que te ampara quando você imagina estar em queda livre!
"Tamú junto!", é ter uma mão pra puxar a gente do poço, ou ao menos uma companhia lá no fundo! rs

"Tamu junto!", é essa corrente invisível que criamos aqui na net, onde ninguém vê o outro, mas os sentimos, os abraçamos com o coração, choramos juntos, lutamos juntos, porque afinal....


"TAMU JUNTO COMPANHEIRA!!!"

6 comentários:

Kel disse...

fui eu cicie..pode me tirar do anonimato...e sem palavras...Tamu junto..obrigada...bju

··¤(`×[¤Cici¤]×´)¤·· disse...

Te Amo Kel!!! Tamu junto garota!!!!
Te Amo incondicionalmente!!!!

VALEU A PENA disse...

Cicie, como sempre, maravilhosa postagem!!! uma liçao!
Amiga Kel, to na torcida para que tudo acabe bem.
TMJ

adicto em recuperação disse...

Noossa!!
Eu nem vou me estender muito...
Apenas digo o seguinte: casamento...é realmente um estranho paradoxo, pois complicados são, as vezes, as pessoas, pois todo e qualquer tipo de convivência, requer diálogo, aceitação, respeito, cumplicidade e tantas outras coisinhas mais...
Porém, nem sempre o casal (já que aqui o tipo de relacionamento trata-se de casamento)- estão dispostos a viver como marido - esposa. Assim sendo, fica muito difícil manter o equilíbrio emocional e a paz num casamento.
eu, particularmente, estou convivendo maritalmente com minha esposa Helena há recém completados 19 anos... São 19 anos de muitas lutas para que o relacionamento continue. Garanto que muito mais esforço da parte dela, do que da minha. Reconheço a grande mulher que tenho ao meu lado.
Sempre digo que as esposas de adictos mereciam ganhar o prêmio nobel da paz.
Desejo que todas as esposas de adictos consigam alcançar a paz em vossos casamentos, não só com a recuperação de vossos esposos, mas com a verdadeira união de um casal, de uma família.
Bons momentos pra todas vocês.
Abração, Cicie.
TAMUJUNTU.

··¤(`×[¤Cici¤]×´)¤·· disse...

Acho que o comentário do nosso amigo aí complementa tudo que falei!
Te amo companheiro!

Bella disse...

cOMO TENHO LIDO O BLOGUE DE MUITOS AQUI E CONSIGUO PERCEBER ASSIM A DIFERENÇA Q EXISTE DE UM TEXTO PARA O OUTRO QDO COMECEI LER O POST LOGO SABIA ESSA PERGUNTA É DA kEL,AMEI O TEXTO cICIE CASAMENTO NÃO É NADA FÁCIL EU QUEM O DIGA RSRSRRS MEU MARIDO NÃO É ADICTO,PORÉM ELE BEBE UMA VEZ E OUTRA E JÁ TIVEMOS MUITOS DESABORES POR CAUSA DA BEBIDA,PORÉM SEMPRE ME MANTENHO FIRME RSRSRS AO LADO PQ PARA MIM TEMOS Q TENTAR ATÉ QDO PODEMOS, E TER CERTEZA DO Q QUEREMO SE É Q ME ENTENDE?RSRSRS É COMO NOSSO AMIGO jÚNIOR FALOU TODO E QUALQUER RELACIONAMENTO É DIFÍCIL IMAGINA CASAMENTO RSRSRSRS,BEIJOS FICA NA pAZ!!

 

··¤(`×[¤Cicie e Ana¤]×´)¤··

"Insanidade é fazer as mesmas coisas, esperando resultados diferentes." Descobrimos que sozinhas não conseguiríamos, mas que com pessoas que buscam as mesmas vitórias, nos sentimos mais fortes,menos solitárias, e mais conectadas com nosso Poder Superior. Um dia de cada vez a gente junta um ano.

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