4º PASSO : 2008 - Um Ano a ser lembrado ou esquecido?

Decidi abrir o meu 4º passo, assim eu me ajudo e quem sabe essa história doida ajude alguém. Então decidi começar da onde é complicado falar, de um ano em que meu castelo de areia demorou e de onde tudo começou a ser contruido com tijolos e cimento.
Começamos a namorar em 2003, e ele era tudo o que eu precisava naquela época,  o fato é que nessa época eu precisava amar e me sentir amada. E eu realmente me sentia amada, sentia que Diogo me amava profundamente, e tinhamos uma enorme admiração um pelo outro, erámos amigos, parceiros, e amantes...

Chega 2008...
Em jan/08 minha menstruação atrasou e desconfiada que estava grávida fiz um teste de fármacia - POSITIVO - pensei Fu##... Fiz mais três testes e todos deram positivos (rs, sabe como é... a gente sempre acha que é o 1% de erro)
Nesse dia eu estava completamente descontrolada... pensei nas mais diversas soluções "para meu problema", eu nunca tinha pensado em ter filhos - mas isso é assunto pra outro post - resumindo a história... totalmente sem nem eira nem beira, contamos a nossos pais, e disso veio a decisão do casamento (nos sentimos pressionados a isso, mesmo não havendo pressão de ninguém - mente humana, quem explica?),.
Antes mesmo de me casar, perdi duas das minhas melhores amigas mesmo tendo um relaciomento distante com elas, e isso me doeu demais - Eu era do tipo de pessoa que quando a bomba explode na minha casa eu me fecho feito concha, e nenhum pé de cabra me abre, perdi a amizade de Vera porque ela se magoou de não ter sido chamada para madrinha e a de Thayna porque eu não contei que estava gravida para ela, "Mas eu não contei a ninguém!!!!", nessa época também meu pelotão de amigos estava "desfalcado" minha irmãzinha, casada, morava do outro lado da cidade e um grande irmão estava internado, tentando reestabeler o caos na vida dele, sua noiva que na época eu nem conhecia, e aliás, talvez ela me odiasse - isso tb é assunto pra frente - foi quem me acolheu, quem sorriu e vibrou, aliás, saiba Pri, vc vibrou mais que eu na época!!!

De jan/08 pulo para abr/08, combinamos os dois que não haveria despedida de solteiro, nem pra mim, nem pra ele, um dia antes do casamento as 2:00hs eu estava ao telefone quebrando o pau com ele por esse motivo (não há necessidade de esmiuçar o fato né?), acabamos causando o caos na familia, eu havia decidido que não ia ter mais casamento, minha sogra na época quase infartou, eu quase infartei, todos nós adoraríamos ter infartado!rs

Casamos, e em jul/08 nasceu nossa Bebê, e daí começa meu drama, meu marido ajudava muito, muitas vezes virava a noite cuidando da bebe enquanto eu dormia, e de manhã saia pra abrir a loja, mas depois de algumas semanas comecei a ficar preocupada, ele passava muito tempo no banheiro, "Deve estar doente", eu ligava pra loja durante o dia e o pessoal dizia que ele não ia trabalhar, descobria que ele estava na mãe dele "passando mal".

Em ago/08, depois de uma briga feia que tivemos, estranhamente ele me ligou chorando dizendo que tinha escrito uma carta para mim e que o Ri (meu melhor amigo) estava vindo conversar comigo... Meu mundo desabou no instante que abri a carta, "MEU MARIDO ESTAVA USANDO DROGAS ABUSIVAMENTE", nunca tinha sentindo o chão desaparecer de uma forma tão brutal, agora eu estva casada com um homem que eu não conhecia e com uma bebê recém nascida nos braços, esse meu amigo nos indicou o NA, e sem pestanejar o levei lá, ele se ingressou e eu pensava que estaria salva, ledo engano.

Set/08 e Out/08, foram os meses mais insanos da mina vida, meu marido descambou de vez, vivia voltando a usar, as brigas eram absurdas, e as cenas mais bizarras aconteciam na minha casa, numa noite, eu cheguei a tentar espancá-lo, o ódio em mim não cabia dentro do meu peito, eu me perguntava o porque de eu estar vivendo tudo aquilo, logo eu que sempre fui tão boa pessoa?, ele pra não me bater deu um soco na parede que resultou em gesso e em nós três (eu, ele e a bebe) de madrugada na area de ortopedia de um hospital, eu morrendo de culpa do meu marido ter "quebrado" a mão na parede e ele morrendo de dor, nesse periodo eu descobri em mim um amor absurdo por aquele cara que estava se matando, mas descobri um ódio em mim que até hj me dá calafrios, muitas e muitas vezes eu arquitetei matá-lo as piores insanidades, a dor que me causava vendo ele se entregar, era naquele instante maior que a dor de ser viuva, de perder um amor, outra vez ele havia acabado de chegar da reunião -mentira dele né -  e estava usando cocaína no banheiro, eu esmurrei a porta, entrei e o coloquei pra fora do banheiro a chutes, me tranquei lá e aos gritos disse: " Se é isso que vc quer pra nossa familia, ok, vamos todos usar então!!!" Nunca vi meu marido tão desesperado na vida, ele gritava pra eu jogar a droga fora, implorava pra eu não usar, eu joguei tudo na privada, e sai do banheiro, ele só descobriu que eu não havia usado droga meses depois.
Cheguei ao ponto de levá-lo as reuniões de NA, e ficar esperando ele no carro por duas horas, eu e a bebe recem-nascida, dentro do carro num dos invernos mais frios que eu já senti...

Em out/08, depois de muita luta, eu não aguentei e decidi contar pra mãe dele o que estava acontecendo, ela falou...falou...discursou, mas nem de perto teve a atitude que eu imagnava que ela teria, nesse dia eu fui a uma sala de NAR-ANON pela primeira vez - mal sabia eu que ela era uma facilitadora cronica - isso só fez a coisa piorar, ela passou a encobrir as sonecas vespertinas dele na casa dela, e a abriga-lo cada vez que eu o "mandava" para a reunião, um dia eu tive um pressentimento e fui averiguar se ele tinha ido pra reunião, descobri que ele havia saido para usar com um amigo da ativa, na mesma hora eu liguei pro irmão dele e aos berros ele que viesse buscar as coisas do meu marido que eu estava colocando ele pra fora, nesse dia o tal amigo veio ajudar a buscar as coisas, mas nem teve coragem de entrar na minha casa - talvez Deus não permitiu, sabe lá o que eu teria feito - sozinha e desesperada liguei para meus pais, em menos de 5 minutos - mais rápido que ambulância aqui em SP - eles estavam na minha sala chorando comigo, minha mãe ardendo em ódio e meu pai desolado. No dia seguinte eu e meu pai fomos a uma sala de NAR-ANON pela primeira vez, vc pode estar pensando "ué" ela já não tinha ido com a sogra?" . Sim, mas só fui perceber isso quase um ano depois, na minha troca de ficha, hoje digo que minha insanidade era tão grande na época que tive que me ingressar duas vezes pra que o Poder Superior pudesse me fazer registrar o momento!!!rs
Voltei pra casa de meus pais, dois dias depois meu pai não se aguentou e foi conversar com meu marido, ele então pediu ajuda, queria ser internado, pediu para conversar comigo e para ver a bebe... Que dor Meu Deus, nós tinhamos falido!!!
Eu não fui levá-lo a clinica, meu pai quem o levou, é triste demais levar um familiar a clinica, deixá-lo lá, numa terra desconhecida, entrar no carro e voltar pra casa.

Na época da internação eu era conhecida na clinica como "general" - eu era a esposa mais rigida do grupo - porque eu enviava só o necessário, nada de regalias do tipo bolachinhas, docinhos, mandava cigarros sufifientes para um mês, e do mais barato, doces só basico - entende-se bem pouco - e tudo do mais barato, dia de visita nada de levar comidinha especial, e eu não fui na visita de natal e nem de ano novo, lembro de uma vez que a clinica me ligou:

Eles - Dona Cicie, aqui é da clinica, gostariamos de saber se a senhora libera uma lista de compras do seu esposo.
eu -Ãh...que lista?
Eles - Dois maços de cigarro marlboro...
eu - Que luxo, libero um maço de Shelton(Ok, hoje eu admito que isso teve uma pitada de "vingança" rsrs, quem  fuma sabe do que eu to falando)...
Eles -uma coca de 600ml e 100gr de mussarela...
eu - O que????
Eles - uma coca de 600ml e 100gr de mussarela.
eu - Que porra é essa??? Um Pique-Nique???? (eu realmente fiquei alterada)
Eles - É senhora, eles se organizaram pra fazer um lanche diferente hoje, cada um vai comprar um pouquinho de cada coisa....
eu - Tá maluco??? Eu aqui ralando pra sustentar uma criança, e ele fazendo pique-nique? Tá liberado só o cigarro...
Eles - Mas é que todo mundo vai participar... eles vão fazer um bolo pra cantar pararabéns pra quem tá fazendo aniversario esse mês...e como ele faz aniversário dia 11... ele imaginou que...
eu - È...foi sendo igual a "todo mundo" que ele começou a usar drogas...e olha no que deu. Olha fulano, eu nunca tive problemas com drogas e to aqui nessa conversa absurda com vc, sem marido, morando de favor, com uma menina pra sustentar, e tendo que viajar mais de 3hs todo terceiro domingo do mês pra visitar o bonitão do pique-nique ai, tá liberado só o cigarro, obrigada e tchau. - depois descobri que os demais internos cobriram a parte dele e fizeram questão dele articipar do pique-nique, rs, afinal todo mundo lá adorava ele e coitadinho dele em ter um esposa tão ruim quanto eu, não é mesmo?..Os unicos que gostavam de mim eram os terapeutas...por que será....rsrsrs

Nessa época eu estava frequentando o Nar-Anon, e já entendia um pouco de facilitação, recuperação e manipulação, mal sabia eu que isso ajudava bastante ele, mas não tinha percebido o quanto meu foco era voltado na vida dele, na recuperação dele, no tempo limpo dele e não na minha vida, na minha recuperação e no meu tempo de serenidade...

O primeiro natal da nossa filha ele não viu, nem o primeiro ano novo, assim também não viu o primeiro dentinho ou a primeira tentativa de engatinhar...
Graças a Deus 2008 chegou ao fim, e na noite do ano, vestida toda de branco, pedindo à todas as forças do universo: PAZ, MUITA PAZ -  eu não me arriscaria a pedir outra coisa - eu desejei nunca mais ter que lembrar desse ano.

Chega 2009!!!!!

4 comentários:

VALEU A PENA disse...

Cicie, como as atitudes de um codependente são parecidas não é mesmo? A cena que você conta do banheiro falando que iria usar também, é perfeitamente igual a minha, no absurdo do momento, eu me sentei no chão do banheiro da casa dele e segurando a latinha, disse que queria usar também. Quanta insanidade...
Querida, você é uma mulher de fibra que esse ano de 2008 nunca mais possa te machucar por dentro.
Obrigada por compartilhar conosco mais um pouco da sua história.
Beijos.

Poly P. disse...

Que bom que está conseguindo encarar sua história de frente,querida. Sei o quanto isso dói, mas, é fortalecedor.
Me arrepiei com alguns trechos, ri em outros, e lágrimas vieram aos olhos em outros...
2008, meu esposo passou todo esse ano sem usar drogas. Meu bebê nasceu em dezembro.
Entretanto ao chegar o "FELIZ 2009!!!" foi a vez do meu castelo de areia se desmoronar por inteiro...
Entendo você em cada vírgula...
Um forte abraço, minha querida!

Meu amor por você disse...

Cice, estou emocionada com sua história que estou começando a descobrir agora. Mais uma vez obrigada por compartilhar e nos ajudar a entender tantas coisas sobre drogas e amor.

True disse...

Cicie querida...minha historia acabou de começar...estou sem chão...sem rumo...sem saber como ajudar...ele me manda embora da vida dele...fala que naum tenho tempo pra ele...que naum ajudo...naum sei o que fazer...cai aki de paraquedas e estou tentando aprender...torça por mim!

 

··¤(`×[¤Cicie e Ana¤]×´)¤··

"Insanidade é fazer as mesmas coisas, esperando resultados diferentes." Descobrimos que sozinhas não conseguiríamos, mas que com pessoas que buscam as mesmas vitórias, nos sentimos mais fortes,menos solitárias, e mais conectadas com nosso Poder Superior. Um dia de cada vez a gente junta um ano.

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