
Quando tive algumas dificuldades com algumas partilhas e opiniões de uma companheira de grupo, pedi ajuda a um senhor que frequentava a irmandade a muito mais tempo que eu, e que sempre mantinha sua serenidade e sua alegria, não importava o que acontecesse na sua vida, ele se mantinha em recuperação, e eu queria isso!
Naquela ocasião ele me sugeriu: "Nas reuniões e durante as partilhas pegue o que lhe servir, de resto permita-se deixar lá!"
Pensei sobre essa frase durante semanas, ruminei a idéia de criar um filtro nos meus ouvidos, e o que eu faria com o que "não me servisse". Digo isso porque, sempre fui o tipo de pessoa que realmente dá ouvidos para o que as pessoas falam - será isso um defeito de caracter, parte da personalidade co-dependente em mim ou apenas seja eu mesma! rs ? Desisti há algum tempo de tentar dividir: defeitos de caracter x co-dependente x cicie, os detalhes fazem o o todo e o todo me faz!
Voltando ao assunto, o fato é que eu me esforcei por fazer o que a tanto tempo foi sugerido e que para outros companheiros deu certo, mas não dava, não consegui fazer "entrar por um ouvido e sair pelo outro" - tenho a síndrome dos ouvidos sensíveis, PODE TER CERTEZA EU OUÇO O QUE VOCÊ FALA!!!
Mas como... nada é obrigatório, TUDO É SUGERIDO, e depois de uma fracassa tentativa de administrar "sugestões", comecei aos poucos trabalhar em mim, essa questão.
Pela primeira vez, na minha vida, decidi criar um diário, foi daí que o blog surgiu, de um
desabafo, de uma forma que eu encontrei de dizer : "Eu não concordo, mas escuto!" - acho que isso muda toda a forma como as pessoas viam essa postagem, rs - o blog foi uma forma entender o que acontecia dentro de mim e de como as coisas funcionavam dentro da minha alma e uma forma de gritar para o mundo : "Tem alguém ai?"
È verdade que no começo eu só ouvia meu próprio eco, mas depois outras vozes vieram, e no lugar do eco comecei a ouvir outras pessoas procurando a si mesmas, hoje somos por volta de 70 seguidores e mais de 30mil acessos, muitas sugestões e inúmeras partilhas, hoje posso praticar meu 12º Passo aqui, posso dar de graça o que de graça eu ganhei.
Quer saber o que eu aprendi com isso?
Aprendi que posso participar de uma reunião/grupo/conversa, pegar o que me serve e deixar o que não me ajuda...
Mas escolhi por uma atitude diferente, e hoje sugiro um outro tipo de exercício para mim mesma:
"Pegue o que lhe servir, de resto, guarde numa caixa de veludo..."
Muitas vezes, no calor do problema, ouvimos todo tipo de "retorno e sugestão", cada um do ponto de vista da pessoa que tenta ajudar, do ponto de vista da própria realidade que esta pessoa está vivendo, e se baseando em tudo que ela viveu e em tudo que ela gostaria ter coragem de fazer, mas na maioria das vezes, esses sinceros "conselhos" parecem terem sido feitos para caber em outro corpo - tipo aquele tênis velho que a gente ganhava do primo mais rico sabe? rs - mesmo tentando, quando calçamos determinados conselhos eles parecem ficar folgados onde no passado existia um calo, e apertados onde realmente estão nossos calos!rs

De dez "retornos/partilhas", uma partilha se encaixa exatamente ao que precisamos naquele momento, mas para mim é um desperdício enorme deixar ao ar os outros nove!
Então, depois de encontrar e me reconfortar ao que me serviu, volto lá e recolho os outros, pego como quem pega conchinhas coloridas na praia - a gente sabe que elas não servem para nada, mas guardadas com carinho quem sabe um dia não tenho um colar?
Juntando conchinhas, eu já pude ajudar muitas pessoas. Se perceberem, alguns posts falam de mim, mas outros, partilho com vocês a recuperação de amigos, de pessoas que não escolheram as mesmas alternativas, e nem por isso foram mais ou menos ajudados que eu, apenas encontraram suas respostas em outras perguntas!
Juntando conchinhas, pude voltar à caixinha e achar uma ajuda para outro momento difícil, muitas vezes, busquei nos comentários e nas partilhas do blog a pergunta para aquela resposta que não entendia - assim ao inverso mesmo.
Juntando conchinhas, eu trabalhei meu primeiro e segundo passo.
Juntando conchinhas eu pude buscar naquela caixinha respostas para mim e para outros companheiros, acabei montando uma espécie de "literatura auxiliar".
Juntando conchinhas, consegui ajudar companheiros com suas próprias sugestões, muitas vezes eu ouvi: "Nossa você disse exatamente o que eu precisava ouvir", muitas vezes eu respondi: "Não fui eu quem disse, foi você mesmo que disse há meses atrás!", é incrível como as pessoas quase nunca escutam o que elas mesmo dizem, é como se nossa opinião ajudasse a todos menos a nós mesmos!
Juntando conchinhas, aprendi muito sobre manipulação, descobri o que era desligamento com Amor, trabalhei o lema : "escuta e aprenda!", me permiti ser mais leve, e mais atenta ao que era partilhado, ouvindo o que era falado sem me questionar se aquilo era "uma indireta", mas levando em conta que aquilo um dia podia ajudar em alguma coisa.
Juntando conchinhas, aprendi a conhecer as pessoas, porque somos um quebra cabeça da nossa própria linha de raciocínio!
Juntando conchinhas, peguei as coloridas e alegres, as cinzas e quebradas, troquei conchinhas, doei conchinhas, e quanto mais eu doava, mais eu recolhia, me ensinando que devemos : Dar de graça o que recebemos de graça.
Juntando conchinhas, posso hoje trabalhar nesse lindo colar de recuperação que a cada dia, eu e vocês, montamos juntos, porque um colar de conchinhas só tem validade se puder ser usado!
Por isso,
Pegue o que lhe servir.
De resto permita-se
Juntar conchinhas!!!
Amo Vocês, Incondicionalmente!